sexta-feira, 3 de agosto de 2007

John Adams - Harmonielehre















Harmonielehre (1985)
John Adams (1947- )
City of Birmingham Symphony Orchestra
Maestro: Simon Rattle

Harmonielehre I
Harmonielehre II

João Domingos Bomtempo - Requiem Op.23

Não foi distinta de muitos outros músicos e compositores portugueses a carreira académica de João Domingos Bomtempo (Lisboa, 1771 - idem, 1842). Refiro-me concretamente à tendência migratória dos estudantes portugueses da época. Muitos emigraram para continuar os seus estudos junto da escola italiana, Nápoles e Roma sobretudo, a expensas do real bolsinho de D. João V. Domingos Bomtempo, rompe, contudo, num gesto de verdadeira originalidade para época segundo alguns (Ruy Vieira Nery). Prefere Paris e, mais tarde, Londres, numa mudança radical, de ruptura com a tradição portuguesa de "tendência" italiana. Além disso, Bomtempo não parece, segundo a historiografia oficial, ter emigrado apenas para concluir a formação inicial que recebeu em Portugal, mas para absorver verdadeiramente o que se fazia no estrangeiro. AO contrário, a maior parte dos compositores portugueses já iria "formatado" pelo ensino nacional de indole napolitana.
João Domingos Bomtempo foi um pianista virtuoso, conseguindo ombrear com os melhores interpretes parisienses e londrinos. Fez parte do grupo de 25 que em 1813 fundam a Philharmonic Society de Londres, grupo que congregava a elite da cultura musical da capital inglesa.
A vida, e inevitavelmente a obra, de Bomtempo não estão isentas de preocupações políticas. Neste particular, a vida de Bomtempo desenvolve um pouco ao sabor dos acontecimentos poíticos da época em Portugal. Em primeiro lugar, as invasões francesas, cujas derrotas do exército francês criam um mal-estar junto da comunidade lusa em Paris e obriga Bomtempo a partir para Londres; depois, a fuga da corte portuguesa para o Brasil e, por fim, a "regência" do general Beresford, após a derrota das tropas francesas. A todas estas ocorrências não foi indiferente o compositor portugues que partipou activamente no debate ideológico da época, entrando na Maçonaria e professando ideais liberais.
O Requiem que aqui trouxemos possui marcas desse engagement. A obra chama-se, na verdade, Requiem à memória de Luís de Camões, na medida em que se pretendia encontrar um paralelo entre o discurso tradicional da missa de finados como uma invocação dos pecados humanos, do seu julgamento, do castigo dos pecadores e da sua redenção, e o discurso simbólico da decadência de um povo pelos pecados cometidos contra a pátria. Camões serviria, neste contexto, como uma figura simbólica regeneradora da pátria lusa. Um pouco à imagem, mais tardia, do D. Sebastião de Pessoa.
A obra terá sido escrita em 1818 e estreada no ano seguinte em Paris, em privado, com o propósito de angariar fundos para a sua própria publicação, desejo coroado de sucesso pois a obra é publicada em 1819 ou 1829 em Paris com o título Messe de Requiem à quatre voix, choeurs, et grande orchestre [...] consacré à la memoire de Camões.
Em Lisboa, a obra é cantada pela primeira vez a 18 de Outubro de 1819, na Igreja de S.Domingos, em memória de Gomes Freira de Andrade e dos supliciados liberais de 1817. A marca de originalidade que foi um traço na carreira de Bomtempo, estende-se ainda ao Requiem, pois era raro na época escreverem-se missas de finados, sendo a excepção Cherubini, que estreia um Requiem em 1817. Por fim, para mais informações sobre João Domingos Bomtempo clique aqui.
A versão que aqui trazemos é uma versão do Coro e Orquestra da Gulbenkian, dirigida por Michel Corboz.
Boa audição!

Requiem à Memória de Luís de Camões, op.23

1. Intróito (Requiem aeternam)
2. Kyrie
3. Sequência (Dies irae)
4. Ofertório (Domine Jesu Christe)

Sanctus

5. Sanctus
6. Benedictus
7. Agnus dei & communio (Requiem aeternam)


Requiem Op. 23

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Klavierstücke (Nietzsche II)


Friedrich Nietzsche (1844-1900): Piano Works
Performed by John Bell Young & Constance Keene

1. Einleitung (1861)
2. Aus der Jugendzeit (1862)
3. Unendlich (1862)
4.
Hymnus an die Freudenschaft (1874)
5. 2 Polish Dances - Mazurka; Aus der Czarda (1862)
6. Im Mondschein auf der Puszta (1862)
7. Ungarischer Marsch (1862)
8. Heldenklage (1862)
9. Ermanarich (Symphonische Dichtung) (1862)
10. Epilog (?)
11. Da geht ein Bach (1862)
12. Edes Titok (ou: Still und ergeben) (1862)

13. So lach doch mal (1862)
14. (Das) zerbrochene Ringlein (1863)
15. Monodie à deux: Lob der Barmherzigkeit (1873)
16. Nachklang einer Sylvesternacht, mit Prozessionslied, Bauerntanz und Glockengeläut (1871)

Mais música de Nietzsche e informação sobre ela, aqui e aqui.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Nietzsche als Komponist

Desde tenra idade que para Friedrich Nietzsche a música ocupou um importante lugar na sua vida. Não só como ouvinte apaixonado das composições de Beethoven, Schumann, Liszt e, como é sabido, de Wagner, mas também como compositor. Esta faceta, não tão famosa como a sua filosofia, não é apenas um pormenor na vida de um diletante amador, mas um aspecto significativo do percurso do filósofo, cujo conhecimento da música e técnicas de composição era considerável desde muito jovem. Claro que o seu talento como músico não poderia deixar de ser ensombrado pelos vultos geniais de Franz Lizst ou Richard Wagner com quem privou, no entanto, uma primeira escuta das suas composições revela um compositor sério e enleado pela sua paixão pela música (que pelo menos desde "O Nascimento da Tragédia" passa a ocupar também um lugar importante na sua filosofia). Eu destacaria a sua obra "Reminiscência para a noite de São Silvestre" para piano e violino e "Meditação de Manfred" (dura mas injustamente criticada por Hans Von Bülow, acusando-a de ser a mais "insatisfatória e anti-musical" peça que tinha ouvido ultimamente).

Devido ao interesse que há, desde há muitas décadas, pela obra e pelo homem, existem já vários estudos sobre a música de Nietzsche e algumas interpretações gravadas. (Nesta dissertação de doutoramento disponível online, pode encontrar-se uma discografia selectiva, em apêndice:
The Music and Thought of Friedrich Nietzsche
de Benjamin Moritz). Existe também um projecto dedicado a divulgar a música de Nietzsche, criado por John Bell Young (um dos principais intérpretes das obras de Nietzsche), chamado The Nietzsche Music Project (clicar).

Confesso que não tenho informação exacta em relação aos intérpretes desta versão, pois dos discos disponíveis para venda, nenhum corresponde à ordem das faixas, ainda que contenha as músicas que aparecem em alguns outros discos. Pode tratar-se apenas de uma modificação da ordem das faixas de uma das interpretações mais citadas, nomeadamente as de John Bell Young ou de
Lauretta Altman, Wolfgang Bottenberg, et al. Sinceramente, não sei. Mas aqui fica e vale pelo valor documental. Em breve aparecerá por aqui um outro disco só com obras para piano.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Danse Macabre (Saint-Saëns)

[Ilustração: Fragmento de uma Dança Macabra de Lübeck, cujo fresco fora pintado em 1463 por Bernt Notke. Devido à sua destruição parcial, este fragmento encontra-se hoje conservado no Museu de Talinn (Estónia)]


Zig et zig et zag, la mort crie cadence
Frappant une tombe avec son talon,
La mort à minuit joue un air de danse,
Zig et zig et zag, sur son violon.

Le vent d'hiver souffle, et la nuit est sombre,
Des gémissements sortent des tilleuls ;
Les squelettes blancs vont à travers l'ombre
Courant et sautant sous leurs grands linceuls,

Zig et zig et zag, chacun se trémousse,
On entend claquer les os des danseurs,
Un couple lascif s'assoit sur la mousse
Comme pour goûter d'anciennes douceurs.

Zig et zig et zag, la mort continue
De racler sans fin son aigre instrument.
Un voile est tombé ! La danseuse est nue !
Son danseur la serre amoureusement.

La dame est, dit-on, marquise ou baronne.
Et le vert galant un pauvre charron – Horreur !
Et voilà qu'elle s'abandonne
Comme si le rustre était un baron !

Zig et zig et zig, quelle sarabande!
Quels cercles de morts se donnant la main !
Zig et zig et zag, on voit dans la bande
Le roi gambader auprès du vilain!

Mais psit ! tout à coup on quitte la ronde,
On se pousse, on fuit, le coq a chanté
Oh ! La belle nuit pour le pauvre monde !
Et vive la mort et l'égalité !

[Este excerto de um poema de Henri Cazalis (excepto, os versos em itálico que haviam sido elididos) acompanhava as notas de programa na estreia da obra orquestral de Saint-Saëns, em 1875.] Para mais informação clicar aqui

O ficheiro deste upload contém três faixas: uma primeira corresponde a uma interpretação de 1950 de Danse Macabre Op. 40 de Camille Saint-Saëns, dirigida por Arturo Toscanini. As outras duas são arranjos para piano, a partir de Franz Liszt (amigo próximo de Saint-Saëns), feitos pelo célebre pianista Vladimir Horowitz.

Esta obra foi muitas vezes objecto de arranjos e variações. Por exemplo
, ou este, ainda este.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Atrium Musicae de Madrid - Musique arabo-andalouse

1. inshad - baitain (ad-dail, rasd)-insiraf (darj) (al-mâya, raml)
2. touchia (al-istihlal)-sana'a (qaim ua nisf 1) (al-hossain, garibach)
3. (quddam)
4. sana'a (al-basit)
5. m'saddar (sikah)-sana'a (darj) (al-m'sarki)
6. (b'tayhi)-m'saddar
7. m'shalya
8. sana'a (darj) (al-hossain, garibach)-toucha (al'm'sarki)
9. sana'a
10. m'saddar (raml)-sana'a (qaim ua nisf) (al-isbihan)
11. taqsim-(al-faliti)
12. m'shalya-touchia (al-basit)-sana'a (al-b'tayhi)
13. taqsim (sabâ, hâsin)-sana'a (qaim ua nisf 2) (al-hossain, garibach)
14. taqsim (rasd)-muas-sa-taquil (qaim ua nisf) (al-mayâ)-sana'a (darj)

Atrium Musicae de Madrid
Gregorio Paniagua
Harmonia Mundi

Musique arabo-andalouse

sábado, 14 de julho de 2007

Atrium Musicae de Madrid - Musique de la Grèce Antique


1. Anakrousis - Gregorio Paniagua (20th Century)
2. Orestes Stasimo I. Fragment d'un choeur de l'Oreste d'Euripide (c. 480 - 406 av. J.C.) II. Fragments
3. 1er Hymne Delphique à Apollon (c. 138 av. J.C.) - compositeur athénien
4. Plainte de Tecmessa saec. II - III ap. J.C
5. Papyrus Wien 29825 saec. III - II av. J.C
6. Hymne au Soleil (concervé par divers manucrits byzantins)
7. Hymne à la Muse - Mésomède de Crète (c. 130ap. J.C.)
8. Hymne à Némésis
9. Papyrus Michigan saec. II ap. J.C
10. Aenaoi Nefelai - Aristophane (450 - 385 av. J.C.)
11. Epitaphe de Seikilos - Seikilos, fils d'Euterpe saec. I ap. J.C
12. Pean. Papyrus Berlin 6870 - c 160 ap. J.C
13. Anonymi Bellermann 97 - 104 (Kolon exasimon, Allos exasimon,Tetrasimos, Allos exasimos, Dodekasimos,
14. 1er Ode Pythique - Pindare (522 - 446 av. J.C.)
15. Papyrus Oxyrhynchus 2436 saec. I - II ap. J.C
16. Hymne Chrétienne d'Oxyrhynchus saec. III - IV ap. J.C
17. Homero Hymnus - Homère
18. Papyrus Zenon. Cairo Fragment saec. III av. J.C
19. Terencio. Hecyra 861 - Terence
20. Poem. Mor 1, 11f. Migne 37, 523 - Grigorios Nazianzenos
21. 2e Hymne Delphique à Apollon - Limenios, fils de Thoinos.Athénien c. 128 av. J.C
22. Papyrus Oslo AB saec I - II ap. J.C.; Epilogos-Katastrophe J.C

Atrium Musicae de Madrid
Gregorio Paniagua
Harmonia Mundi

Musique de la Grèce Antique

domingo, 24 de junho de 2007

Jean-Jacques Rousseau - Le Devin du Village

Afinal Rousseau compunha! Além d´As Confissões ou d´O Contracto Social, Jean-Jacques Rousseau escreveu uma ópera e libretto, Le Devin du Village, em 1752. E nem se saiu assim tão mal, já que em 1752, em Fontainebleau, diante da corte do rei Luis XV, o sucesso foi tão grande que o próprio rei decidiria presentear Rousseau com uma renda vitalícia que este viria a recusar.
Para mim, estudante de filosofia, a obra surge sob o signo do inesperado e do curioso. A não ser Nietzsche, desconheço outro caso de um filósofo-músico. Assim, aqui fica a obra na versão de Rene Clemencic e a Alpe Adria Ensemble. Se alguém tiver conhecimento de alguma obra do Nietszche que esteja disponível online é favor avisar.
Boa audição.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
Conductor Rene Clemencic
Alpe Adria Ensemble

Eva Kirchner
(Soprano)
Dongkyu Choy (Tenor)
Thomas Muller De Vries
(Bass)

Libretto

Le Devin du Village I
Le Devin du Village II