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domingo, 23 de março de 2008

Michel Corrette (1707-1795) - III Leçons de Ténèbres
















[TIEPOLO, Giovanni Battista,Christ Carrying the Cross 1737-38, Oil on canvas, 450 x 517 cm Sant'Alvise, Venice]

Leçons de Ténèbres (1784)

1. Plein jeu - Adagio
2.
1er Leçon pour le Mercredy Saint
3. Duo - Andante
4. Duo sur les flutes - allegro
5. 1er Leçon pour le Jeudi Saint
6. Contre-faiseur - Duo allegro
7. Trio avec les Flutes - adagio
8. 1er Leçon pour le Vendredy Saint
9. Grand jeu - allegro

Catherine Greuillet, soprano
Philippe Foulon, cello
Olivier Vernet, orgue à l´orgue historique François-Henri Clicquot de l´église prieurale Saint-Pierre et Paul de Souvigny

sexta-feira, 21 de março de 2008

Die sieben Worte Jesu Christi am Kreuz (Schütz) SWV 478


[Pormenor do Altar de Isenheim, pintado por Matthias Grünewald,
c.1515, óleo sobre madeira, Musée d'Unterlinden, Colmar]


As sete palavras de Jesus na cruz são uma colecção de sete breves frases que, segundo uma certa tradição, foram pronunciadas por Jesus durante a sua crucificação. Estas frases - ou palavras, em sentido lato - são objecto de uma devoção especial e de meditação, principalmente durante a Semana Santa, entre os Cristãos, e foram recolhidas dos quatro Evangelhos. A sua ordem e expressão variam ligeiramente, consoante os diversos Evangelhos, e o seu conjunto completo não se encontra em nenhum deles.

Na sua versão alemã seriam:
  1. "Vater, vergib ihnen, denn sie wissen nicht, was sie tun." ( Lukas 23, 34) ["Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem."]
  2. "Amen, ich sage dir: Heute noch wirst du mit mir im Paradies sein." (Lukas 23, 43) ["Em verdade eu te digo que hoje estarás comigo no Paraíso."]
  3. "Frau, siehe, dein Sohn!" und: "Siehe, deine Mutter!" ( Johannes 19, 26-27) ["Mulher, eis aí o teu filho; olha aí a tua mãe."]
  4. "Mein Gott, mein Gott, warum hast Du mich verlassen?" ( Markus 15, 34) ["Eli, Eli, lama sabachthani? (Deus, meu Deus, por que me abandonaste?)"]
  5. "Mich dürstet." (Johannes 19, 28) ["Tenho sede"]
  6. "Es ist vollbracht." (Johannes 19, 30) ["Está consumado"]
  7. "Vater, in Deine Hände lege ich meinen Geist." (Lukas 23, 46) ["Pai, em tuas mãos entrego meu espírito"]

Die sieben Worte Jesu Christi am Kreuz (I e II) - Harmonia Mundi

1 Magnificat Swv 468
2 Erbarm dich mein, o Herre Gott Swv 447
3 Quemadmodum desiderat Swv 336
4 Anima mea Swv 263 - Adjuro vos Swv 264
5 Ach Herr, du Shöpfer aller Ding Swv 450
6 Die sieben worte Jesu Christi am Kreuz Swv 478
7 Meine Seele erhebt den Herren Swv 344
8 Die mit Tränen säen Swv 42

ENSEMBLE CLÉMENT JANEQUIN
LES SAQUEBOUTIERS DE TOULOUSE

Agnès Mellon, soprano
Dominique Visse, contratenor
Bruno Boterf, tenor
Philippe Cantor, barítono
Antoine Sicot, baixo
Konrad Junghänel, alaúde
Jonathan Cable, baixo de viola e contrabaixo

quarta-feira, 19 de março de 2008

Leçons de Ténèbres

Durante a Semana Santa, nada parece mais apropriado do que estas Leçons de Ténèbres de François Couperin.
Era hábito, nos finais do século XVII e inícios do XVIII, deslocar-se à Abadia de Longchamp, durante a quarta, quinta e sexta-feira da Semana Santa, para ouvir os cantores de ópera a interpretar a última composição das Lamentações de Jeremias, pois a ópera estava fechada e a liturgia do fim da quaresma era uma oportunidade que aqueles não podiam deixar escapar, para exibir os seus talentos apaixonados.
Na verdade, as Leçons de Ténèbres constituiam a primeira parte das orações do breviário, dividido em três nocturnos e principalmente formado pelos salmos e lições. Originalmente, elas deveriam ser cantadas logo depois da meia-noite, à primeira hora de Quinta, Sexta e Sábado Santos (matinas). Mas este horário convinha pouco a um público de ópera mimado, de modo que avançou-se para o meio-dia do dia precedente: "Mercredy, Jeudy et Vendredi Saint".
Das Lições compostas por Couperin, entre 1713 e 1717, apenas as três primeiras (incluídas neste disco), para o "Mercredy Saint", foram impressas; tendo-se perdido as seis restantes.
Liturgicamente, os versos do poema atribuído a Jeremias - as três lições para a Quarta-feira Santa retomam apenas os 14 primeiros versos dos 22 que constituem a primeira das cinco Lamentações - devem comemorar com lirismo os eventos da Paixão (ao contrário das Paixões de Bach, por exemplo, que são essencialmente dramáticas e acentuam pois os factos da história da Paixão). As Lamentações, falsamente atribuídas a Jeremias, pelas tradições judaica e católica, constituem uma composição em cinco cantos, onde a queda de Jerusalém (586 a.c.) é pungentemente lamentada e onde se exorta ao arrependimento e à meditação.
Musicalmente, as Leçons pertencem a uma tradição tipicamente francesa, onde Guillaume Bouzignac, Michel Lambert e Marc-Antoine Charpentier terão sido os principais e mais directos precursores.
(Adaptado do texto de René Jacobs que acompanha o disco da Harmonia Mundi)


François Couperin, Leçons de Ténèbres,
Concerto Vocale, Dir. René Jacobs
Arles: Harmonia Mundi,1982.

François Couperin (1668-1733), Leçons de Ténèbres
1. Première Leçon
2. Deuxième Leçon
3. Troisième Leçon

Jeremiah Clarke (1673-1707)
4. Blest be those sweet regions

Henry Purcell (1659-1695)
5. A Divine Hymn
(Lord, what is man)

6. An Evening Hymn
(The night is come)

René Jacobs, Contralto; Vincent Darras, 2º contralto; Max van Egmond, baixo; William Christie, órgão e cravo; Wieland Kuijken, baixo de viola; Jaap ter Linden, baixo de viola; Konrad Junghänel, teorba

[Pintura: Pieter Pauwel Rubens, Descida da Cruz, 1616-17, óleo sobre tela 425 x 295, Musée des Beaux-Arts, Lille]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Domenico Scarlatti (1685-1757) - Stabat Mater

Com este registo podemos escutar dois Scarlatti, se assim o podemos dizer, o Domenico e o Alessandro. Do Domenico são todas as obras excepto O Magnum Mysterium do Alessandro Scarlatti. Espero que gostem. Com o próximo post, do Stabat do Rossini, publicar-se-á um pequeno texto sobre o Stabat Mater.


1. Stabat Mater Dolorosa: Stabat Mater Dolorosa
2. Stabat Mater Dolorosa: Cujus Animam Gementem
3. Stabat Mater Dolorosa: Eja Mater, Fons Amoris
4. Stabat Mater Dolorosa: Sancta Mater, Istud Agas
5. Stabat Mater Dolorosa: Fac Me Vere Tecum Flere
6. Stabat Mater Dolorosa: Juxta Crucem Tecum Stare
7. Stabat Mater Dolorosa: Inflammatus Et Accensus
8. Stabat Mater Dolorosa: Fac Ut Animae Donetur
9. Stabat Mater Dolorosa: Amen

10. O Magnum Mysterium

11. Messa Breve 'La Stella': Kyrie
12. Messa Breve 'La Stella': Gloria
13. Messa Breve 'La Stella': Credo
14. Messa Breve 'La Stella': Sanctus
15. Messa Breve 'La Stella': Agnus Dei

16. Te Deum Laudamus: Te Deum Laudamus
17. Te Deum Laudamus: Te Ergo Quaesiumus

18. Iste Confessor

Ensemble William Byrd
Graham O'Reilly (director)
Pierre Verany
(Label)

Stabat Mater (I)
Stabat Mater (II)

[
PIC. Domenico Scarlatti, portrayed by Domingo Antonio Velasco in 1738]

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) - Stabat Mater / Salve Regina




Stabat mater


1. Stabat Mater: I. Stabat Mater - Emma Kirkby/James Bowman

2. Stabat Mater: II. Cujus animam gementem - Emma Kirkby

3. Stabat Mater: III. O Quam tristis et afflicta - Emma Kirkby/James Bowman

4. Stabat Mater: IV. Quae moerebat et dolebat - James Bowman

5. Stabat Mater: V. Quis est homo - Emma Kirkby/James Bowman

6. Stabat Mater: VI. Vidit suum dulcem Natum - Emma Kirkby

7. Stabat Mater: VII. Eja, mater - James Bowman

8. Stabat Mater: VIII. Fac ut ardeat cor meum - Emma Kirkby/James Bowman

9. Stabat Mater: IX. Sancta mater - Emma Kirkby/James Bowman

10. Stabat Mater: X. Fac ut portem - James Bowman

11. Stabat Mater: XI. Inflammatus et accencus - Emma Kirkby/James Bowman

12. Stabat Mater: XII. Quando corpus - Emma Kirkby/James Bowman


Salve regina in C minor

13. Salve Regina: I. Salve Regina - Emma Kirkby

14. Salve Regina: II. Ad te clamamus - Emma Kirkby

15. Salve Regina: III. Eja ergo - Emma Kirkby

16. Salve Regina: IV. Et Jesum - Emma Kirkby

17. Salve Regina: V. O clemens - Emma Kirkby


Composed by Giovanni Battista Pergolesi
Performed by Academy of Ancient Music
with Emma Kirkby, James Bowman
Conducted by Christopher Hogwood

Stabat Mater/Salve Regina

[Este link foi retirado do site P.Q.P.Bach]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

João de Sousa Carvalho (1745-1798) - Te Deum (1792)

Te Deum é um hino da liturgia católica. A origem do canto parece não ser fácil de traçar, já que são contraditórias as hipóteses que se vão apresentando pela crítica e historiografia religiosas. A hipóteses mais famosa, mais simbólica do que científica (e talvez por isso mais interessante), reporta o Te Deum ao século IV, mais precisamente ao ano 387, na altura da cerimónia do baptismo de Santo Agostinho, Bispo de Hipona, que terá, com Santo Ambrósio, composto em alternância o hino para a própria cerimónia. Esta hipótese é confirmada, inclusive, pelo nome pelo qual o hino é tradicionalmente tratado "Hino Ambrosino" e pela incrição no Breviário Romano que o identifica: "Hymnus SS. Ambrosii et Augustini" ("Hino dos Santos Ambrósio e Agostinho").

Contudo, estudos filológicos e históricos recentes contraditam a origem simbólica do hino. Textos que surgiram (São Cipriano de Cartago em 252), e onde o hino aparece, remetem a sua origem para o século II, o que, do ponto de vista da métrica parece fazer mais sentido, segundo os especialistas. Assim, parece ser hoje consensual que a autoria do hino não se deve aos dois santos mas a um São Aniceto, Papa cujo pontificado decorreu cerca de 157 a cerca de 168.

A utilização do Te Deum nas liturgias é bastante frequente. Iniciamente era cantado no final das matinas dos dias festivos do calendário religioso. Para além deste uso, passou a ser introduzido, desde muito cedo, em todas as cerimónias liturgicas de Acção de Graças, tornando-se na oração principal. Estas cerimónias, que agradeciam uma qualquer benesse divina, podiam ter um carácter diverso: eclesiástico (canonizações, eleição de um novo Papa, consagração de um Bispo, etc...), políticas (assinaturas de tratados, vitórias militares, ou celebração do aniversário, nascimento, casamento de um membro da Família Real), ou qualquer acontecimento quotidiano marcante para a comunidade.

Em Portugal, o Te Deum conhece tem uma existência vigorosa com D. João V, que manda celebrar em 1718 um Te Deum a 31 de Dezembro de cada ano como agradecimento das graças divinas ao reino. O Te Deum passa, então, a ser um instrumento simbólico de afirmação e legitimação do poder do Estado e da Igreja, ao mesmo tempo que afirma a relação íntima entre estas duas esferas.

Deixo-vos com este pequeno, e sumário, texto de introdução, exclusivamente histórico, sobre o Te Deum. Quanto a João de Sousa Carvalho, os textos biográficos são muito resumidos. Como conclusão deixo-vos o texto do Te Deum.


TE DEUM

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.

Te æternum Patrem omnis terra veneratur.

Tibi omnes Angeli, tibi Cæli, et universæ Potestates: Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus Deus Sabaoth.

Pleni sunt cæli et terra majestatis gloriæ tuæ.

Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus.

Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensæ majestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium: Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriæ, Christe.

Tu Patris sempiternus es Filius, Tu, ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum.

Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna cælorum. Tu ad dexteram, Dei sedes, in gloria Patris. Iudex crederis esse venturus.

(Ao versículo seguinte, todos se inclinam) Te ergo quæsumus, tuis famulis subveni, quos pretioso sanguine redemisti.

Æterna fac cum Sanctis tuis in gloria munerari.

Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuæ.

Et rege eos, et extolle illos usque in æternum.

Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus Nomen tuum in sæculum, et in sæculum sæculi.

Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.

Miserere nostri domine, miserere nostri.

Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te.

In te, Domine, speravi: non confundar in æternum.

V. Benedicamus Patrem, et Filium, cum Sancto Spiritu.

R. Laudemus, et superexaltemus eum in sæcula.

V. Benedictus es, Domine, in firmamento cæli.

R. Et laudabilis, et gloriosus, et superexaltatus in sæcula.

V. Domine, exaudis orationem meam.

R. Et clamor meus ad te veniat.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremus.

Deus, cujus misericordiæ non est numerus, et bonitatis infinitus est thesaurus: + piissimæ maiestati tuæ pro collatis donis gratias agimus, tuam semper clementiam exorantes; * ut, qui petentibus postulata concedis, eosdem non deserens, ad præmia futura disponas. Per Christum Dominum nostrum.

R. Amen.

[Fonte: wikipédia]


Te Deum

1. Te Deum Laudamus

2. Tibi Omnes Angeli

3. Sanctus

4. Te Gloriosus

5. Patrem Immensae Majestatis

6. Sanctum Quoque

7. Tu Patris

8. Tu Devicto

9. Judex Crederis

10. Te Ergo Quaesumus

11. Salvum Fac

12. Per Singulos Dies

13. Dignare Domine

14. Fiat Misericordia


Brigitte Fournier - Soprano I

Naoko Okada - Soprano II

Elisabeth Graf - Contralto

John Elwes - Tenor

Michel Brodard - Baixo


Coro & Orquestra Gulbenkian

Michel Corboz - Direcção
1991, Lisboa

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Heinrich Schütz (1585-1672) - Symphoniae Sacrae, op.6 e 10


Depois de um interregno natalício volto à liça com mais um álbum inserido no projecto em curso anterior descrito num qualquer post abaixo. Volto com Schütz e com as "Sinfonias sacras", op.6 e op.10 na versão da Cappella Augustana e direcção de Matteo Messori.

As Symphoniae são consideradas uma das obras-chave da música de Schütz. Foram compostas em três momentos distintos, 1629, 1647 e 1650, Opus 6, 10 e 12 respectivamente. As partes que aqui vos deixo correspondem à opus 6 e 10. Para a opus 12 ver aqui. Como contextualização da figura de Schütz na história da música ocidental deixo-vos este pequeno excerto em francês. Quanto à biografia, uma ida à Wikipédia resolve facilmente o assunto. Espero que gostem.


«Au moment où Heinrich Schütz venait au monde, en 1585, une nouvelle époque de l´histoire musicale connaissait les difficultés de l´enfantement. La tradition contrapuntique, qui soumettait aux lois de la composition la libre interprétation du texte, continuait en Allemagne et en Italie en la personne de ses deux principaux représentants, Roland de Lassus et Palestrina, et de leurs nombreaux disciples. Mais, tant parmi ceux-ci qu´en dehors de leurs rangs, se faisaient jour des tendances individualistes: on commençait à en plus considérer le texte comme un patrimonie commun et sacro-saint mais bien plutôt comme un élément que chacun avait loisir d´interpréter à sa guise, quitte à renoncer, s´il en éprovait le besoin, à la technique du contrepoint. Ainsi s´élabora en Italie durant les années quatre-vingts, en réaction contre la polyphonie du XVIe siècle, la forme extrême de cette nouvelle conception: celle du chant «monodique». Le texte y était confié à une voix soliste, susceptible d´en traduire les inflexions les plus subtiles, l´accompagnement (réduit d´ailleurs le plus souvent au continuo) se soumettant à elle de façon absolue. Polyphonie et monodie, art d´expression essentiellement collective et aspiration à une confession personnelle, sentiment des plus hautes obligations et ardent besoin de liberté, tels furent donc les deux pôles entre lesquels s´accomplit, sans qu´il s´en rendit compte enconre lui-même, l´evolution du jeune Heirich Schütz, mais qui déterminèrent aussi, cette fois en pleine connaissance de cause, les créations de sa maturité, avant de se fondre en une majesteuse et unique synthèse dans l´oeuvre du vieillard.»

Abert, Anna Amalie, «Heinrich Schütz», in Histoire de la musique I, Gallimard, 2001, Vol.2, p.1771


Symphoniae Sacrae

Symphoniae Sacrae, op. 6 (1629)
Concerto 11 - Psaume 34, 1-3 : Benedicam Dominum in omni tempore
Concerto 13 - Samuel II, 19, 4-5 : Fili mi, Absalon
Concerto 18 - Cantiques 4, 16 ; 5-1 : Veni, dilecte mi, in hortum meum
Concerto 20 - Psaume 150, 4 : Jubilate Deo in chordis et organo

Symphoniarum Sacrarum Secunda Pars, op. 10 (1647)
Concerto 26 (Poème de Ludwig Helmbold, 1563) : Von Gott will ich nicht lassen
Concerto 3 - Psaume 8 : Herr, unser Herrscher, wie herrlich ist dein Nam
Concert 4 - Luc I, 46-48, 50-55 : Meine Seele erhebt den Herren
Concerto 8 - Psaume 18, 2-7 : Herzlich lieb hab ich dich, o Herr
Concerto 16 - Psaume 68, 2-4 : Es steh' Gott auf
Concerto 12 - Luc II, 29-32 : Herr, nun lässest du deinen Diener im Frieden fahren
Concerto 10 - Psaume 150 : Lobet den Herrn in seinem Heiligtum
Concerto 27 - Psaume 33, 1-3 : Freuet euch des Herren, ihr Gerechten


Dir. Matteo Messori (& orgue)
Cappella Augustana (Voix et instruments anciens)
Label:Brilliant Classics

Symphoniae Sacrae

[IMG. Rembrandt, «Heinrich Schütz», c. 1635?, Corcoran Gallery of Art, Washington, D.C.]

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

J.S. Bach - Matthäuspassion, BWV 244






















Performer: Anthony Rolfe Johnson, Nancy Argenta, Michael Chance, Neill Archer, Ruth Holton,
Cornelius Hauptmann, Gillian Ross, Stephen Varcoe, Simon Birchall, Andrew Murgatroyd,
Nicholas Robertson, Rufus Müller
Dir.: John Eliot Gardiner
Orchestra/Ensemble: English Baroque Soloists, Monteverdi Choir
Label: Archiv

Parte I
Parte II
Parte III

Para alguma informação sobre a obra consultar aqui.

domingo, 24 de junho de 2007

Jean-Jacques Rousseau - Le Devin du Village

Afinal Rousseau compunha! Além d´As Confissões ou d´O Contracto Social, Jean-Jacques Rousseau escreveu uma ópera e libretto, Le Devin du Village, em 1752. E nem se saiu assim tão mal, já que em 1752, em Fontainebleau, diante da corte do rei Luis XV, o sucesso foi tão grande que o próprio rei decidiria presentear Rousseau com uma renda vitalícia que este viria a recusar.
Para mim, estudante de filosofia, a obra surge sob o signo do inesperado e do curioso. A não ser Nietzsche, desconheço outro caso de um filósofo-músico. Assim, aqui fica a obra na versão de Rene Clemencic e a Alpe Adria Ensemble. Se alguém tiver conhecimento de alguma obra do Nietszche que esteja disponível online é favor avisar.
Boa audição.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
Conductor Rene Clemencic
Alpe Adria Ensemble

Eva Kirchner
(Soprano)
Dongkyu Choy (Tenor)
Thomas Muller De Vries
(Bass)

Libretto

Le Devin du Village I
Le Devin du Village II

domingo, 3 de junho de 2007

Telemann - Tafelmusik

Telemann (1681-1767) é um compositor do barroco alemão. A Tafelmusik, "música de mesa", é uma obra escrita para ser tocada em banquetes, festas e eventos ao ar livre. Já no século XVIII passa a chamar-se divertimento, o que atesta bem do carácter recreativo deste tipo de peças. Foi escrita em 1733, e é a obra mais célebre de Telemann. Teve, na altura, um sucesso giganteso, sendo encomendada por metade da Europa que gostava de música. Telemann era um enciclopedista, tal como Bach, e o conhecimento que possuia da música do seu tempo era de tal foma vasto que, na obra que aqui apresentamos, é possível fazer o registo de quase todos os instrumentos conhecidos da época. Eram ventos de cosmopolitismo, aqueles que se sentiam.

A versão que aqui deixo é a de Pieter-Jan Belder, com Remy Baudet e a Music Amphion. Está editada na Brilliant Classics.

Tafelmusik

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Tableau de l'Opération de la Taille

Esta imagem pertence ao tratado de litotomia de François Tolet, de 1682, e representa uma operação cirúrgica com vista a remover os cálculos vesicais. Consistia em abrir a bexiga com instrumentos cortantes para dela retirar pedras que aí existissem. Dado o seu carácter perigoso, Hipócrates havia proibido tal tipo de operações no seu juramento. Porém, há notícia que desde o século XVI, se praticaria por médicos menos escrúpulosos. O paciente era colocado sobre uma mesa inclinada e amarrado por quatro servidores. Uma sonda inserida na bexiga permitia localizar as pedras e avaliar o seu volume. Com a ajuda de um bisturi, cortava-se o perineu, a próstata e a bexiga, depois inseria-se um instrumento que aumentava a abertura para poder abrir caminho à pinça que retiraria os cálculos. Devido aos frequentes maus resultados (desde mortes até sequelas pós-operatórias como a incontinência), a litotomia fora definitvamente proibida no século XIX e substituída pela litotricia, até esta se revelar também de consequências desastrosas.
Por incrível que pareça, tal operação serviu para inspirar uma suite para viola com baixo contínuo a Marin Marais em 1725. Tal peça pretendia, tal como esta imagem, representar a referida operação, tendo o compositor inscrito na pauta certas notas verbais sobre os momentos dessa operação. Nas interpretações modernas da obra, considerada, durante muito tempo, de mau gosto, costuma declamar-se estas notas pois ajudam a formar a imagem mental da operação e acompanhar os momentos musicais em stile rappresentativo.
Marin Marais foi um excelente violista e discípulo de Sainte-Colombe e Lully, contando entre os músicos da corte de Luís XIV desde 1676 (quando tinha apenas vinte anos), ascendendo três anos depois à posição de ordinaire de la chambre du Roy pour la viole, lugar que ocuparia até 1725.
O disco que aqui trago é uma interpretação de Jordi Savall de algumas suites do livro 5º de Marais, onde se incluem Tableau de l'Opération de la Taille e Les Relevailles, precisamente os dois andamentos da suite que pretende representar aquela operação.

Marin Marais - Pièces de viole du Vème livre (Jordi Savall) Harmonia Mundi

P.S.: Descobri esta obra através de um disco ainda mais bizarro que podem encontrar neste blog de uma rádio nova-iorquina, a WFMU