segunda-feira, 23 de julho de 2007

Nietzsche als Komponist

Desde tenra idade que para Friedrich Nietzsche a música ocupou um importante lugar na sua vida. Não só como ouvinte apaixonado das composições de Beethoven, Schumann, Liszt e, como é sabido, de Wagner, mas também como compositor. Esta faceta, não tão famosa como a sua filosofia, não é apenas um pormenor na vida de um diletante amador, mas um aspecto significativo do percurso do filósofo, cujo conhecimento da música e técnicas de composição era considerável desde muito jovem. Claro que o seu talento como músico não poderia deixar de ser ensombrado pelos vultos geniais de Franz Lizst ou Richard Wagner com quem privou, no entanto, uma primeira escuta das suas composições revela um compositor sério e enleado pela sua paixão pela música (que pelo menos desde "O Nascimento da Tragédia" passa a ocupar também um lugar importante na sua filosofia). Eu destacaria a sua obra "Reminiscência para a noite de São Silvestre" para piano e violino e "Meditação de Manfred" (dura mas injustamente criticada por Hans Von Bülow, acusando-a de ser a mais "insatisfatória e anti-musical" peça que tinha ouvido ultimamente).

Devido ao interesse que há, desde há muitas décadas, pela obra e pelo homem, existem já vários estudos sobre a música de Nietzsche e algumas interpretações gravadas. (Nesta dissertação de doutoramento disponível online, pode encontrar-se uma discografia selectiva, em apêndice:
The Music and Thought of Friedrich Nietzsche
de Benjamin Moritz). Existe também um projecto dedicado a divulgar a música de Nietzsche, criado por John Bell Young (um dos principais intérpretes das obras de Nietzsche), chamado The Nietzsche Music Project (clicar).

Confesso que não tenho informação exacta em relação aos intérpretes desta versão, pois dos discos disponíveis para venda, nenhum corresponde à ordem das faixas, ainda que contenha as músicas que aparecem em alguns outros discos. Pode tratar-se apenas de uma modificação da ordem das faixas de uma das interpretações mais citadas, nomeadamente as de John Bell Young ou de
Lauretta Altman, Wolfgang Bottenberg, et al. Sinceramente, não sei. Mas aqui fica e vale pelo valor documental. Em breve aparecerá por aqui um outro disco só com obras para piano.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Danse Macabre (Saint-Saëns)

[Ilustração: Fragmento de uma Dança Macabra de Lübeck, cujo fresco fora pintado em 1463 por Bernt Notke. Devido à sua destruição parcial, este fragmento encontra-se hoje conservado no Museu de Talinn (Estónia)]


Zig et zig et zag, la mort crie cadence
Frappant une tombe avec son talon,
La mort à minuit joue un air de danse,
Zig et zig et zag, sur son violon.

Le vent d'hiver souffle, et la nuit est sombre,
Des gémissements sortent des tilleuls ;
Les squelettes blancs vont à travers l'ombre
Courant et sautant sous leurs grands linceuls,

Zig et zig et zag, chacun se trémousse,
On entend claquer les os des danseurs,
Un couple lascif s'assoit sur la mousse
Comme pour goûter d'anciennes douceurs.

Zig et zig et zag, la mort continue
De racler sans fin son aigre instrument.
Un voile est tombé ! La danseuse est nue !
Son danseur la serre amoureusement.

La dame est, dit-on, marquise ou baronne.
Et le vert galant un pauvre charron – Horreur !
Et voilà qu'elle s'abandonne
Comme si le rustre était un baron !

Zig et zig et zig, quelle sarabande!
Quels cercles de morts se donnant la main !
Zig et zig et zag, on voit dans la bande
Le roi gambader auprès du vilain!

Mais psit ! tout à coup on quitte la ronde,
On se pousse, on fuit, le coq a chanté
Oh ! La belle nuit pour le pauvre monde !
Et vive la mort et l'égalité !

[Este excerto de um poema de Henri Cazalis (excepto, os versos em itálico que haviam sido elididos) acompanhava as notas de programa na estreia da obra orquestral de Saint-Saëns, em 1875.] Para mais informação clicar aqui

O ficheiro deste upload contém três faixas: uma primeira corresponde a uma interpretação de 1950 de Danse Macabre Op. 40 de Camille Saint-Saëns, dirigida por Arturo Toscanini. As outras duas são arranjos para piano, a partir de Franz Liszt (amigo próximo de Saint-Saëns), feitos pelo célebre pianista Vladimir Horowitz.

Esta obra foi muitas vezes objecto de arranjos e variações. Por exemplo
, ou este, ainda este.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Atrium Musicae de Madrid - Musique arabo-andalouse

1. inshad - baitain (ad-dail, rasd)-insiraf (darj) (al-mâya, raml)
2. touchia (al-istihlal)-sana'a (qaim ua nisf 1) (al-hossain, garibach)
3. (quddam)
4. sana'a (al-basit)
5. m'saddar (sikah)-sana'a (darj) (al-m'sarki)
6. (b'tayhi)-m'saddar
7. m'shalya
8. sana'a (darj) (al-hossain, garibach)-toucha (al'm'sarki)
9. sana'a
10. m'saddar (raml)-sana'a (qaim ua nisf) (al-isbihan)
11. taqsim-(al-faliti)
12. m'shalya-touchia (al-basit)-sana'a (al-b'tayhi)
13. taqsim (sabâ, hâsin)-sana'a (qaim ua nisf 2) (al-hossain, garibach)
14. taqsim (rasd)-muas-sa-taquil (qaim ua nisf) (al-mayâ)-sana'a (darj)

Atrium Musicae de Madrid
Gregorio Paniagua
Harmonia Mundi

Musique arabo-andalouse

sábado, 14 de julho de 2007

Atrium Musicae de Madrid - Musique de la Grèce Antique


1. Anakrousis - Gregorio Paniagua (20th Century)
2. Orestes Stasimo I. Fragment d'un choeur de l'Oreste d'Euripide (c. 480 - 406 av. J.C.) II. Fragments
3. 1er Hymne Delphique à Apollon (c. 138 av. J.C.) - compositeur athénien
4. Plainte de Tecmessa saec. II - III ap. J.C
5. Papyrus Wien 29825 saec. III - II av. J.C
6. Hymne au Soleil (concervé par divers manucrits byzantins)
7. Hymne à la Muse - Mésomède de Crète (c. 130ap. J.C.)
8. Hymne à Némésis
9. Papyrus Michigan saec. II ap. J.C
10. Aenaoi Nefelai - Aristophane (450 - 385 av. J.C.)
11. Epitaphe de Seikilos - Seikilos, fils d'Euterpe saec. I ap. J.C
12. Pean. Papyrus Berlin 6870 - c 160 ap. J.C
13. Anonymi Bellermann 97 - 104 (Kolon exasimon, Allos exasimon,Tetrasimos, Allos exasimos, Dodekasimos,
14. 1er Ode Pythique - Pindare (522 - 446 av. J.C.)
15. Papyrus Oxyrhynchus 2436 saec. I - II ap. J.C
16. Hymne Chrétienne d'Oxyrhynchus saec. III - IV ap. J.C
17. Homero Hymnus - Homère
18. Papyrus Zenon. Cairo Fragment saec. III av. J.C
19. Terencio. Hecyra 861 - Terence
20. Poem. Mor 1, 11f. Migne 37, 523 - Grigorios Nazianzenos
21. 2e Hymne Delphique à Apollon - Limenios, fils de Thoinos.Athénien c. 128 av. J.C
22. Papyrus Oslo AB saec I - II ap. J.C.; Epilogos-Katastrophe J.C

Atrium Musicae de Madrid
Gregorio Paniagua
Harmonia Mundi

Musique de la Grèce Antique

domingo, 24 de junho de 2007

Jean-Jacques Rousseau - Le Devin du Village

Afinal Rousseau compunha! Além d´As Confissões ou d´O Contracto Social, Jean-Jacques Rousseau escreveu uma ópera e libretto, Le Devin du Village, em 1752. E nem se saiu assim tão mal, já que em 1752, em Fontainebleau, diante da corte do rei Luis XV, o sucesso foi tão grande que o próprio rei decidiria presentear Rousseau com uma renda vitalícia que este viria a recusar.
Para mim, estudante de filosofia, a obra surge sob o signo do inesperado e do curioso. A não ser Nietzsche, desconheço outro caso de um filósofo-músico. Assim, aqui fica a obra na versão de Rene Clemencic e a Alpe Adria Ensemble. Se alguém tiver conhecimento de alguma obra do Nietszche que esteja disponível online é favor avisar.
Boa audição.

Jean-Jacques Rousseau (1712-1778)
Conductor Rene Clemencic
Alpe Adria Ensemble

Eva Kirchner
(Soprano)
Dongkyu Choy (Tenor)
Thomas Muller De Vries
(Bass)

Libretto

Le Devin du Village I
Le Devin du Village II

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Portuguese Polyphony














Portuguese Polyphony

Ars Nova Ensemble - Bo Holten
Naxos

    Manuel Cardoso (1566-1650)
  1. Lamentatio
  2. Magnificat secundi toni

  3. Duarte Lobo (c.1565-1646)
  4. Audivi vocem de caelo
  5. Pater peccavi

  6. Filipe de Magalhães (c.1571-1652)
  7. Vidi aquam

  8. Missa O Soberana luz
  9. Kyrie
  10. Gloria
  11. Credo
  12. Sanctus
  13. Benedictus
  14. Agnus Dei
  15. Commissa mea pavesco

  16. Manuel da Fonseca (fl.c.1540)
  17. Beata viscera

  18. Bartolomeo Trosylho (c.1500-c.1567)
  19. Circumdederunt me

  20. Pedro de Escobar (c.1465-1535)
  21. Clamabat autem mulier
Portuguese Polyphony

terça-feira, 12 de junho de 2007

W.A. Mozart - Così Fan Tutte, K.588

































Opera in two acts
Libretto by Lorenzo da Ponte

Fiordiligi - Elisabeth Schwarzkopf
Dorabella - Nan Merriman
Guglielmo - Rolando Panerai
Ferrando - Léopold Simoneau
Despina - Lisa Otto
Don Alfonso - Sesto Bruscantini

Philharmonia Orchestra & Chorus
Conducted by Herbert von Karajan (1954)

Cosi Fan Tutte

P.S. Post inspirado no blog do Il Giardino (link ao lado).

domingo, 3 de junho de 2007

Telemann - Tafelmusik

Telemann (1681-1767) é um compositor do barroco alemão. A Tafelmusik, "música de mesa", é uma obra escrita para ser tocada em banquetes, festas e eventos ao ar livre. Já no século XVIII passa a chamar-se divertimento, o que atesta bem do carácter recreativo deste tipo de peças. Foi escrita em 1733, e é a obra mais célebre de Telemann. Teve, na altura, um sucesso giganteso, sendo encomendada por metade da Europa que gostava de música. Telemann era um enciclopedista, tal como Bach, e o conhecimento que possuia da música do seu tempo era de tal foma vasto que, na obra que aqui apresentamos, é possível fazer o registo de quase todos os instrumentos conhecidos da época. Eram ventos de cosmopolitismo, aqueles que se sentiam.

A versão que aqui deixo é a de Pieter-Jan Belder, com Remy Baudet e a Music Amphion. Está editada na Brilliant Classics.

Tafelmusik