quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mass of Tournai / St. Luke Passion - Anonymous




















Mass of Tournai (sec. XIV)

1. Kyrie

2. Gloria
3. Credo
4. Sanctus
5. Agnus Dei
6. Se Grasse/Cum Venerint/Ite Missa Est

St. Luke Passion (sec. XIV)


7. The First Day Of Unleavened Bread
8. The Mount Of Olives
9. The High Priest's House
10. The Council Of The Elders
11. Pilate And Herod
12. The Place Called The Skull
13. The Tomb

Label: Naxos
Composer: Anonymous
Orchestra/Ensemble: Tonus Peregrinus
2003



terça-feira, 8 de abril de 2008

Stabat Mater - Gioachino Rossini





















[
Giottino, Pietà of San Remigio. ca. 1365, Tempera on wood, 195 x 134 cm, Galleria degli Uffizi, Florence]

Não vou, infelizmente para mim, cumprir a promessa de escrever aqui um texto sobre o Stabat Mater. Além da inevitável preguiça, encontrei um site totalmente dedicado ao género Stabat Mater. Tem tudo. Textos, sobre as obras e os compositores, uma listagem (quase exaustiva mas ainda em crescimento) de compositores que composeram um SM. Esta listagem tem a particularidade de estar ordenada segundo vários critérios, o que nos permite variadas perspectivas sobre o género. Claro que o Rossini está presente. Check it out! aqui.
Espero que gostem. Boa audição.

Stabat Mater

1. Stabat Mater dolorosa
2. Cujus animam gementem
3. Quis est homo qui non fleret
4. Pro peccatis suae gentis
5. Eja Mater fons amoris
6. Sancta Mater istud agas
7. Fac ut portem Christi mortem
8. Inflammatus et accensus
9. Quando corpus morietur
10. Amen


Label: Deutsche Grammophon
Composer: Gioachino Rossini
Performer: Cecilia Bartoli, Raúl Giménez, Roberto Scandiuzzi, Luba Orgonasova
Conductor: Myung-Whun Chung
Orchestra/Ensemble: Vienna State Opera Chorus, Vienna Philharmonic Orchestra

1997


domingo, 23 de março de 2008

Et exspecto ressurrectionem mortuorum (Messiaen)


[Mark Rothko, nº14, óleo sobre tela 114 x 105 (1960), SFMOMA, São Francisco]

"Composta em 1964, a obra que aqui se apresenta, conheceu um grande sucesso junto do público desde a sua estreia em Maio de 1965, na Sainte-Chapelle, em Paris.

O seu autor, Olivier Messiaen (1908-1992), era na época uma das mais importantes personalidades do meio musical europeu, repartindo a sua actividade entre a composição, a interpretaçãoo (onde se destacou como organista), o ensino e a investigação musical.

O estatuto do compositor, o facto de ter sido prisioneiro dos campos de concentração Nazis e a sua constantemente reiterada fé na religião católica (a qual era no dizer do compositor a razão última da sua obra), levaram o Ministro da Cultura da França, André Malraux, a encomendar-lhe uma obra destinada a homenagear a memória dos mortos das duas Guerras Mundiais." [Apresentação da obra no site do Instituto Gregoriano de Lisboa que inclui mais informação sobre a obra aqui.]


Olivier Messiaen - Et exspecto ressurrectionem mortuorum (1964)

I. Des profondeurs de l'abime, je crie...
II. Le Christ, ressuscite` des morts, ne meurt plus
III. L'heure vient ou les morts entendront la voix du Fils.
IV. Ils ressusciteront, glorieux, avec un nom nouveau.
V. Et j'entendis la voix d'une foule immense...

Os cinco andamentos de Et Exspecto Ressurrectionem Mortuorum foram escritos para uma orquestra de 40 executantes que inclui madeiras, metais e instrumentos de percussão em metal.

p.s.: peço desculpa mas não tenho a certeza de quem interpreta a obra nesta versão. A intepretação de Pierre Boulez é famosa mas a fonte não referia quem interpretava, por isso não garanto que seja esta.

Michel Corrette (1707-1795) - III Leçons de Ténèbres
















[TIEPOLO, Giovanni Battista,Christ Carrying the Cross 1737-38, Oil on canvas, 450 x 517 cm Sant'Alvise, Venice]

Leçons de Ténèbres (1784)

1. Plein jeu - Adagio
2.
1er Leçon pour le Mercredy Saint
3. Duo - Andante
4. Duo sur les flutes - allegro
5. 1er Leçon pour le Jeudi Saint
6. Contre-faiseur - Duo allegro
7. Trio avec les Flutes - adagio
8. 1er Leçon pour le Vendredy Saint
9. Grand jeu - allegro

Catherine Greuillet, soprano
Philippe Foulon, cello
Olivier Vernet, orgue à l´orgue historique François-Henri Clicquot de l´église prieurale Saint-Pierre et Paul de Souvigny

sexta-feira, 21 de março de 2008

Die sieben Worte Jesu Christi am Kreuz (Schütz) SWV 478


[Pormenor do Altar de Isenheim, pintado por Matthias Grünewald,
c.1515, óleo sobre madeira, Musée d'Unterlinden, Colmar]


As sete palavras de Jesus na cruz são uma colecção de sete breves frases que, segundo uma certa tradição, foram pronunciadas por Jesus durante a sua crucificação. Estas frases - ou palavras, em sentido lato - são objecto de uma devoção especial e de meditação, principalmente durante a Semana Santa, entre os Cristãos, e foram recolhidas dos quatro Evangelhos. A sua ordem e expressão variam ligeiramente, consoante os diversos Evangelhos, e o seu conjunto completo não se encontra em nenhum deles.

Na sua versão alemã seriam:
  1. "Vater, vergib ihnen, denn sie wissen nicht, was sie tun." ( Lukas 23, 34) ["Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem."]
  2. "Amen, ich sage dir: Heute noch wirst du mit mir im Paradies sein." (Lukas 23, 43) ["Em verdade eu te digo que hoje estarás comigo no Paraíso."]
  3. "Frau, siehe, dein Sohn!" und: "Siehe, deine Mutter!" ( Johannes 19, 26-27) ["Mulher, eis aí o teu filho; olha aí a tua mãe."]
  4. "Mein Gott, mein Gott, warum hast Du mich verlassen?" ( Markus 15, 34) ["Eli, Eli, lama sabachthani? (Deus, meu Deus, por que me abandonaste?)"]
  5. "Mich dürstet." (Johannes 19, 28) ["Tenho sede"]
  6. "Es ist vollbracht." (Johannes 19, 30) ["Está consumado"]
  7. "Vater, in Deine Hände lege ich meinen Geist." (Lukas 23, 46) ["Pai, em tuas mãos entrego meu espírito"]

Die sieben Worte Jesu Christi am Kreuz (I e II) - Harmonia Mundi

1 Magnificat Swv 468
2 Erbarm dich mein, o Herre Gott Swv 447
3 Quemadmodum desiderat Swv 336
4 Anima mea Swv 263 - Adjuro vos Swv 264
5 Ach Herr, du Shöpfer aller Ding Swv 450
6 Die sieben worte Jesu Christi am Kreuz Swv 478
7 Meine Seele erhebt den Herren Swv 344
8 Die mit Tränen säen Swv 42

ENSEMBLE CLÉMENT JANEQUIN
LES SAQUEBOUTIERS DE TOULOUSE

Agnès Mellon, soprano
Dominique Visse, contratenor
Bruno Boterf, tenor
Philippe Cantor, barítono
Antoine Sicot, baixo
Konrad Junghänel, alaúde
Jonathan Cable, baixo de viola e contrabaixo

quarta-feira, 19 de março de 2008

Leçons de Ténèbres

Durante a Semana Santa, nada parece mais apropriado do que estas Leçons de Ténèbres de François Couperin.
Era hábito, nos finais do século XVII e inícios do XVIII, deslocar-se à Abadia de Longchamp, durante a quarta, quinta e sexta-feira da Semana Santa, para ouvir os cantores de ópera a interpretar a última composição das Lamentações de Jeremias, pois a ópera estava fechada e a liturgia do fim da quaresma era uma oportunidade que aqueles não podiam deixar escapar, para exibir os seus talentos apaixonados.
Na verdade, as Leçons de Ténèbres constituiam a primeira parte das orações do breviário, dividido em três nocturnos e principalmente formado pelos salmos e lições. Originalmente, elas deveriam ser cantadas logo depois da meia-noite, à primeira hora de Quinta, Sexta e Sábado Santos (matinas). Mas este horário convinha pouco a um público de ópera mimado, de modo que avançou-se para o meio-dia do dia precedente: "Mercredy, Jeudy et Vendredi Saint".
Das Lições compostas por Couperin, entre 1713 e 1717, apenas as três primeiras (incluídas neste disco), para o "Mercredy Saint", foram impressas; tendo-se perdido as seis restantes.
Liturgicamente, os versos do poema atribuído a Jeremias - as três lições para a Quarta-feira Santa retomam apenas os 14 primeiros versos dos 22 que constituem a primeira das cinco Lamentações - devem comemorar com lirismo os eventos da Paixão (ao contrário das Paixões de Bach, por exemplo, que são essencialmente dramáticas e acentuam pois os factos da história da Paixão). As Lamentações, falsamente atribuídas a Jeremias, pelas tradições judaica e católica, constituem uma composição em cinco cantos, onde a queda de Jerusalém (586 a.c.) é pungentemente lamentada e onde se exorta ao arrependimento e à meditação.
Musicalmente, as Leçons pertencem a uma tradição tipicamente francesa, onde Guillaume Bouzignac, Michel Lambert e Marc-Antoine Charpentier terão sido os principais e mais directos precursores.
(Adaptado do texto de René Jacobs que acompanha o disco da Harmonia Mundi)


François Couperin, Leçons de Ténèbres,
Concerto Vocale, Dir. René Jacobs
Arles: Harmonia Mundi,1982.

François Couperin (1668-1733), Leçons de Ténèbres
1. Première Leçon
2. Deuxième Leçon
3. Troisième Leçon

Jeremiah Clarke (1673-1707)
4. Blest be those sweet regions

Henry Purcell (1659-1695)
5. A Divine Hymn
(Lord, what is man)

6. An Evening Hymn
(The night is come)

René Jacobs, Contralto; Vincent Darras, 2º contralto; Max van Egmond, baixo; William Christie, órgão e cravo; Wieland Kuijken, baixo de viola; Jaap ter Linden, baixo de viola; Konrad Junghänel, teorba

[Pintura: Pieter Pauwel Rubens, Descida da Cruz, 1616-17, óleo sobre tela 425 x 295, Musée des Beaux-Arts, Lille]

quarta-feira, 5 de março de 2008

Verdi - Messa Da Requiem; Quattro Pezzi Sacri

























Requiem (CD1)

01. I. Requiem.mp3
02. II. Kyrie.mp3

03. III. Dies irae.mp3

04. IV. Tuba mirum.mp3

05. V. Liber scriptus.mp3

06. VI. Quid sum miser.mp3

07. VII. Rex tremendae.mp3

08. VIII. Recordare.mp3

09. IX. Ingemisco.mp3

10. X. Confutatis.mp3

11. XI. Lacrymosa.mp3
12. XII. Domine Jesu.mp3

13. XIII. Sanctus.mp3

14. XIV. Agnus Dei.mp3

Parte I
Parte II


Requiem e Quattro Pezzi Sacri (CD2)

01. XV. Lux Aeterna.mp3

02. XVI. Libera Me.mp3

03. I. Ave Maria.mp3

04. II. Stabat Mater.mp3

05. III. Laudi alla Vergine.mp3

06. IV. Te Deum.mp3

Parte III
Parte IV


Label: EMI
Composer:
Giuseppe Verdi
Performer: Nicolai Gedda, Nicolai Ghiaurov, Christa Ludwig, Elisabeth Schwarzkopf, Dame Janet Baker
Conductor: Carlo Maria Giulini
Orchestra/Ensemble: Philharmonia Chorus Orchestra, Philharmonia Orchestra

[Pic.
Retrato de Giuseppe Verdi por Giovanni Boldini, 1886 patente na
Galleria Nazionale d'Arte Moderna de Roma]

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Domenico Scarlatti (1685-1757) - Stabat Mater

Com este registo podemos escutar dois Scarlatti, se assim o podemos dizer, o Domenico e o Alessandro. Do Domenico são todas as obras excepto O Magnum Mysterium do Alessandro Scarlatti. Espero que gostem. Com o próximo post, do Stabat do Rossini, publicar-se-á um pequeno texto sobre o Stabat Mater.


1. Stabat Mater Dolorosa: Stabat Mater Dolorosa
2. Stabat Mater Dolorosa: Cujus Animam Gementem
3. Stabat Mater Dolorosa: Eja Mater, Fons Amoris
4. Stabat Mater Dolorosa: Sancta Mater, Istud Agas
5. Stabat Mater Dolorosa: Fac Me Vere Tecum Flere
6. Stabat Mater Dolorosa: Juxta Crucem Tecum Stare
7. Stabat Mater Dolorosa: Inflammatus Et Accensus
8. Stabat Mater Dolorosa: Fac Ut Animae Donetur
9. Stabat Mater Dolorosa: Amen

10. O Magnum Mysterium

11. Messa Breve 'La Stella': Kyrie
12. Messa Breve 'La Stella': Gloria
13. Messa Breve 'La Stella': Credo
14. Messa Breve 'La Stella': Sanctus
15. Messa Breve 'La Stella': Agnus Dei

16. Te Deum Laudamus: Te Deum Laudamus
17. Te Deum Laudamus: Te Ergo Quaesiumus

18. Iste Confessor

Ensemble William Byrd
Graham O'Reilly (director)
Pierre Verany
(Label)

Stabat Mater (I)
Stabat Mater (II)

[
PIC. Domenico Scarlatti, portrayed by Domingo Antonio Velasco in 1738]

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736) - Stabat Mater / Salve Regina




Stabat mater


1. Stabat Mater: I. Stabat Mater - Emma Kirkby/James Bowman

2. Stabat Mater: II. Cujus animam gementem - Emma Kirkby

3. Stabat Mater: III. O Quam tristis et afflicta - Emma Kirkby/James Bowman

4. Stabat Mater: IV. Quae moerebat et dolebat - James Bowman

5. Stabat Mater: V. Quis est homo - Emma Kirkby/James Bowman

6. Stabat Mater: VI. Vidit suum dulcem Natum - Emma Kirkby

7. Stabat Mater: VII. Eja, mater - James Bowman

8. Stabat Mater: VIII. Fac ut ardeat cor meum - Emma Kirkby/James Bowman

9. Stabat Mater: IX. Sancta mater - Emma Kirkby/James Bowman

10. Stabat Mater: X. Fac ut portem - James Bowman

11. Stabat Mater: XI. Inflammatus et accencus - Emma Kirkby/James Bowman

12. Stabat Mater: XII. Quando corpus - Emma Kirkby/James Bowman


Salve regina in C minor

13. Salve Regina: I. Salve Regina - Emma Kirkby

14. Salve Regina: II. Ad te clamamus - Emma Kirkby

15. Salve Regina: III. Eja ergo - Emma Kirkby

16. Salve Regina: IV. Et Jesum - Emma Kirkby

17. Salve Regina: V. O clemens - Emma Kirkby


Composed by Giovanni Battista Pergolesi
Performed by Academy of Ancient Music
with Emma Kirkby, James Bowman
Conducted by Christopher Hogwood

Stabat Mater/Salve Regina

[Este link foi retirado do site P.Q.P.Bach]

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Franz Josef Haydn (1732 - 1809) - Stabat Mater [Hob. XX-bis]

















[
Mater dolorosa, Luis de Morales (c.1510-1586)]

Stabat Mater

1. Stabat mater, Hob. XXbis: Stabat mater dolorosa - Largo

2. Stabat mater, Hob. XXbis: O quam tristis et afflicta - Larghetto

3. Stabat mater, Hob. XXbis: Quis est homo - Lento

4. Stabat mater, Hob. XXbis: Quis non posset contristari - Moderato

5. Stabat mater, Hob. XXbis: Pro peccatis suae gentis - Allegro ma non troppo

6. Stabat mater, Hob. XXbis: Vidit suum dulcem natum - Lento e mestoso

7. Stabat mater, Hob. XXbis: Eia mater, fons amoris - Allegretto

8. Stabat mater, Hob. XXbis: Sancta mater, istud agas - Larghetto

9. Stabat mater, Hob. XXbis: Fac me vere tecum flere - Lachrymoso

10. Stabat mater, Hob. XXbis: Virgo virginum praeclara - Andante

11. Stabat mater, Hob. XXbis: Flamis orci ne succedar - Presto

12. Stabat mater, Hob. XXbis: Fac me cruce custodiri - Moderato

13. Stabat mater, Hob. XXbis: A. Quando corpus morietur - Largo assai

14. Stabat mater, Hob. XXbis: Paradisi gloria


Barbara Bonney, soprano
Elisabeth von Magnus, mezzosoprano
Herbert Lippert, tenor
Alastair Miles, bajo
Schoenberg Choir
Concentus Musicus Viena
Nikolaus Harnoncourt
1995

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Melpomen, Ancient Greek Music
















Postei há uns tempos atrás, um álbum de música antiga do Atrium musicae de Madrid dirigido pelo Gregorio Paniagua. Posto outra "tentativa" de aceder ao ambiente musical grego por Conrad Steinmann. Nesta versão contamos com Steinmann na composição e Arianna Savall (soprano) na voz. Os instrumentos e a letra são originais, apenas a música de Steinamnn, claro, é o traço contemporâneo da gravação. Espero que apreciem.

Melpomen, Ancient Greek Music


1 - Akousate/Argos
2 - Melomai
3 - Sappho
4 - Eros
5 - Mater
6 - Nomos M
7 - Tenge Pleumonas Oino
8 - Dithyrambos
9 - Gaia
10 - Daktylos Amera
11 - Makrotatos
12 - Anakreon
13 - Perikleitos
14 - Agallis
15 - Dialogos
16 - Mona
17 - Protos
18 - Ekleipsis
19 - Proteron
20 - Hypne Anax
21 - Kretikos

Ensemble Melpomen
Conrad Steinmann
Arianna Savall
Luiz Alves da Silva
Massimo Cialfi

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

2363!! Esse número mítico.

Gostaria aqui de agradecer, em meu nome e em nome do co-autor deste blog, todas as visitas que este blog já recebeu (ainda que 2300 entradas sejam nossas) e esperar que a música que espalhamos por esse mundo fora (ou apenas na região da Bairrada que é onde vivemos) tenha servido para alguma coisa. Continuaremos a nossa missão de divulgar "coisas" e esperar estar ainda aqui, a postar como nunca, quando tivermos essa quantia igualmente mítica de 4726, que, nem por acaso, é exactamente o dobro da quantia actual.
Aproveito para anunciar que vou postar um "especial" Stabat Mater. Quem quiser contribuir com links tem desde já o meu mais sincero obrigado.
Um bem haja a todos.

[Para quem estiver a pensar que raio me terá passado pela cabeça, respondo que eu próprio também não sei. Só queria, afinal, pedir links para o Stabat Mater.]

João de Sousa Carvalho (1745-1798) - Te Deum (1792)

Te Deum é um hino da liturgia católica. A origem do canto parece não ser fácil de traçar, já que são contraditórias as hipóteses que se vão apresentando pela crítica e historiografia religiosas. A hipóteses mais famosa, mais simbólica do que científica (e talvez por isso mais interessante), reporta o Te Deum ao século IV, mais precisamente ao ano 387, na altura da cerimónia do baptismo de Santo Agostinho, Bispo de Hipona, que terá, com Santo Ambrósio, composto em alternância o hino para a própria cerimónia. Esta hipótese é confirmada, inclusive, pelo nome pelo qual o hino é tradicionalmente tratado "Hino Ambrosino" e pela incrição no Breviário Romano que o identifica: "Hymnus SS. Ambrosii et Augustini" ("Hino dos Santos Ambrósio e Agostinho").

Contudo, estudos filológicos e históricos recentes contraditam a origem simbólica do hino. Textos que surgiram (São Cipriano de Cartago em 252), e onde o hino aparece, remetem a sua origem para o século II, o que, do ponto de vista da métrica parece fazer mais sentido, segundo os especialistas. Assim, parece ser hoje consensual que a autoria do hino não se deve aos dois santos mas a um São Aniceto, Papa cujo pontificado decorreu cerca de 157 a cerca de 168.

A utilização do Te Deum nas liturgias é bastante frequente. Iniciamente era cantado no final das matinas dos dias festivos do calendário religioso. Para além deste uso, passou a ser introduzido, desde muito cedo, em todas as cerimónias liturgicas de Acção de Graças, tornando-se na oração principal. Estas cerimónias, que agradeciam uma qualquer benesse divina, podiam ter um carácter diverso: eclesiástico (canonizações, eleição de um novo Papa, consagração de um Bispo, etc...), políticas (assinaturas de tratados, vitórias militares, ou celebração do aniversário, nascimento, casamento de um membro da Família Real), ou qualquer acontecimento quotidiano marcante para a comunidade.

Em Portugal, o Te Deum conhece tem uma existência vigorosa com D. João V, que manda celebrar em 1718 um Te Deum a 31 de Dezembro de cada ano como agradecimento das graças divinas ao reino. O Te Deum passa, então, a ser um instrumento simbólico de afirmação e legitimação do poder do Estado e da Igreja, ao mesmo tempo que afirma a relação íntima entre estas duas esferas.

Deixo-vos com este pequeno, e sumário, texto de introdução, exclusivamente histórico, sobre o Te Deum. Quanto a João de Sousa Carvalho, os textos biográficos são muito resumidos. Como conclusão deixo-vos o texto do Te Deum.


TE DEUM

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.

Te æternum Patrem omnis terra veneratur.

Tibi omnes Angeli, tibi Cæli, et universæ Potestates: Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant: Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus Deus Sabaoth.

Pleni sunt cæli et terra majestatis gloriæ tuæ.

Te gloriosus Apostolorum chorus, Te Prophetarum laudabilis numerus, Te Martyrum candidatus laudat exercitus.

Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia, Patrem immensæ majestatis: Venerandum tuum verum et unicum Filium: Sanctum quoque Paraclitum Spiritum. Tu Rex gloriæ, Christe.

Tu Patris sempiternus es Filius, Tu, ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum.

Tu, devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna cælorum. Tu ad dexteram, Dei sedes, in gloria Patris. Iudex crederis esse venturus.

(Ao versículo seguinte, todos se inclinam) Te ergo quæsumus, tuis famulis subveni, quos pretioso sanguine redemisti.

Æterna fac cum Sanctis tuis in gloria munerari.

Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuæ.

Et rege eos, et extolle illos usque in æternum.

Per singulos dies benedicimus te; Et laudamus Nomen tuum in sæculum, et in sæculum sæculi.

Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.

Miserere nostri domine, miserere nostri.

Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te.

In te, Domine, speravi: non confundar in æternum.

V. Benedicamus Patrem, et Filium, cum Sancto Spiritu.

R. Laudemus, et superexaltemus eum in sæcula.

V. Benedictus es, Domine, in firmamento cæli.

R. Et laudabilis, et gloriosus, et superexaltatus in sæcula.

V. Domine, exaudis orationem meam.

R. Et clamor meus ad te veniat.

V. Dominus vobiscum.

R. Et cum spiritu tuo.

Oremus.

Deus, cujus misericordiæ non est numerus, et bonitatis infinitus est thesaurus: + piissimæ maiestati tuæ pro collatis donis gratias agimus, tuam semper clementiam exorantes; * ut, qui petentibus postulata concedis, eosdem non deserens, ad præmia futura disponas. Per Christum Dominum nostrum.

R. Amen.

[Fonte: wikipédia]


Te Deum

1. Te Deum Laudamus

2. Tibi Omnes Angeli

3. Sanctus

4. Te Gloriosus

5. Patrem Immensae Majestatis

6. Sanctum Quoque

7. Tu Patris

8. Tu Devicto

9. Judex Crederis

10. Te Ergo Quaesumus

11. Salvum Fac

12. Per Singulos Dies

13. Dignare Domine

14. Fiat Misericordia


Brigitte Fournier - Soprano I

Naoko Okada - Soprano II

Elisabeth Graf - Contralto

John Elwes - Tenor

Michel Brodard - Baixo


Coro & Orquestra Gulbenkian

Michel Corboz - Direcção
1991, Lisboa

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Heinrich Schütz (1585-1672) - Symphoniae Sacrae, op.6 e 10


Depois de um interregno natalício volto à liça com mais um álbum inserido no projecto em curso anterior descrito num qualquer post abaixo. Volto com Schütz e com as "Sinfonias sacras", op.6 e op.10 na versão da Cappella Augustana e direcção de Matteo Messori.

As Symphoniae são consideradas uma das obras-chave da música de Schütz. Foram compostas em três momentos distintos, 1629, 1647 e 1650, Opus 6, 10 e 12 respectivamente. As partes que aqui vos deixo correspondem à opus 6 e 10. Para a opus 12 ver aqui. Como contextualização da figura de Schütz na história da música ocidental deixo-vos este pequeno excerto em francês. Quanto à biografia, uma ida à Wikipédia resolve facilmente o assunto. Espero que gostem.


«Au moment où Heinrich Schütz venait au monde, en 1585, une nouvelle époque de l´histoire musicale connaissait les difficultés de l´enfantement. La tradition contrapuntique, qui soumettait aux lois de la composition la libre interprétation du texte, continuait en Allemagne et en Italie en la personne de ses deux principaux représentants, Roland de Lassus et Palestrina, et de leurs nombreaux disciples. Mais, tant parmi ceux-ci qu´en dehors de leurs rangs, se faisaient jour des tendances individualistes: on commençait à en plus considérer le texte comme un patrimonie commun et sacro-saint mais bien plutôt comme un élément que chacun avait loisir d´interpréter à sa guise, quitte à renoncer, s´il en éprovait le besoin, à la technique du contrepoint. Ainsi s´élabora en Italie durant les années quatre-vingts, en réaction contre la polyphonie du XVIe siècle, la forme extrême de cette nouvelle conception: celle du chant «monodique». Le texte y était confié à une voix soliste, susceptible d´en traduire les inflexions les plus subtiles, l´accompagnement (réduit d´ailleurs le plus souvent au continuo) se soumettant à elle de façon absolue. Polyphonie et monodie, art d´expression essentiellement collective et aspiration à une confession personnelle, sentiment des plus hautes obligations et ardent besoin de liberté, tels furent donc les deux pôles entre lesquels s´accomplit, sans qu´il s´en rendit compte enconre lui-même, l´evolution du jeune Heirich Schütz, mais qui déterminèrent aussi, cette fois en pleine connaissance de cause, les créations de sa maturité, avant de se fondre en une majesteuse et unique synthèse dans l´oeuvre du vieillard.»

Abert, Anna Amalie, «Heinrich Schütz», in Histoire de la musique I, Gallimard, 2001, Vol.2, p.1771


Symphoniae Sacrae

Symphoniae Sacrae, op. 6 (1629)
Concerto 11 - Psaume 34, 1-3 : Benedicam Dominum in omni tempore
Concerto 13 - Samuel II, 19, 4-5 : Fili mi, Absalon
Concerto 18 - Cantiques 4, 16 ; 5-1 : Veni, dilecte mi, in hortum meum
Concerto 20 - Psaume 150, 4 : Jubilate Deo in chordis et organo

Symphoniarum Sacrarum Secunda Pars, op. 10 (1647)
Concerto 26 (Poème de Ludwig Helmbold, 1563) : Von Gott will ich nicht lassen
Concerto 3 - Psaume 8 : Herr, unser Herrscher, wie herrlich ist dein Nam
Concert 4 - Luc I, 46-48, 50-55 : Meine Seele erhebt den Herren
Concerto 8 - Psaume 18, 2-7 : Herzlich lieb hab ich dich, o Herr
Concerto 16 - Psaume 68, 2-4 : Es steh' Gott auf
Concerto 12 - Luc II, 29-32 : Herr, nun lässest du deinen Diener im Frieden fahren
Concerto 10 - Psaume 150 : Lobet den Herrn in seinem Heiligtum
Concerto 27 - Psaume 33, 1-3 : Freuet euch des Herren, ihr Gerechten


Dir. Matteo Messori (& orgue)
Cappella Augustana (Voix et instruments anciens)
Label:Brilliant Classics

Symphoniae Sacrae

[IMG. Rembrandt, «Heinrich Schütz», c. 1635?, Corcoran Gallery of Art, Washington, D.C.]

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Gesang der Jünglinge

Apesar de esta obra se encontrar já no disco do post anterior, decidi dedicar-lhe um post só para ela por várias razões. Desde logo, porque foi a primeira obra de Karlheinz Stockhausen que ouvi, ainda adolescente, na Antena 2 da RDP, e logo me despertou a atenção, de tal modo, que me obrigou a decorar aquelas palavras numa língua que, infelizmente, ainda hoje não conheço como devia: Gesang der Jünglinge. [Uma tradução comum (penso que por influência francesa) é Canto dos Adolescentes. Mas ela pode traduzir-se simplesmente por Canto dos Jovens, como está traduzido na versão portuguesa do Livro de Daniel.] E, para além disso, porque é uma das obras mais emblemáticas do compositor alemão recentemente falecido e que cruzou nela uma série de inovações que marcaram a história da música contemporânea do pós-guerra.
Trata-se de uma peça inspirada no episódio da fornalha ardente, no Livro de Daniel, onde o rei Nabucodonosor havia condenado três jovens hebreus, que se haviam recusado a idolatrar a sua estátua em ouro, a arderem numa fornalha de grandes labaredas. A sua fé, no entanto, impediu que as chamas queimassem os jovens, os quais em vez de serem consumidos pelo fogo, entoavam cânticos de louvor a Deus. E é justamente a partir da voz de um jovem que entoa "Preiset den Herrn", entre outras frases retiradas daquele livro, em alemão, que Stockhausen compõe, cruzando-as com fontes electrónicas e usando os efeitos de estúdio permitidos pela tecnologia de vanguarda da NWDR, este Gesang der Jünglinge.

Esta pode ser considerada a primeira grande obra prima da música electro-acústica, na medida em que, nela se cruzam as experiências parisienses da Música Concreta (Stockhausen este em Paris e aprendeu com Pierre Schaeffer o seu novo método de "composição") e as inovações tecnológicas da Música Electrónica, tipicamente alemã. Por outro lado, consegue pela primeira vez juntar de uma forma equilibrada e consequente a voz humana com as fontes electrónicas. Mais ainda, aplica a "filosofia" do serialismo integral, de modo pleno [facilitado pela tecnologia] mas esteticamente consistente [não sendo um mero exercício experimental], a uma obra que vive muito para além do academismo teórico de muitas experiências serialistas depois de 1945. Significa isto, que Stockhausen tratou todos os elementos do evento musical (alturas, timbre, duração, intensidade), quer fossem provenientes dos osciladores, quer fossem produzidos pela voz humana, com as mesmas séries pré-determinadas, permitindo-lhe obter uma coerência formal no resultado final; mas que não obstante o artifício e intelectualismo deste método, conseguiu imbuir a sua obra com uma força expressiva e dramática que nos pode fazer esquecer esse academismo genético. (Nem todos os compositores ou obras se poderão gabar do mesmo.)
Para dados mais completos e uma análise da obra, consulte-se. John Smalley, Gesang der Jünglinge: History and Analysis, 200.

Para ouvir: Karlheinz Stockhausen: Gesang der Jünglinge
[Nesta ligação, encontra-se só mesmo esta peça, que pode ser descarregada mais rapidamente.]

Elektronische Musik (K. Stockhausen)

"Em 1953, K. Stockhausen é nomeado colaborador permanente no estúdio de música electrónica da rádio de Colónia; na sua primeira abordagem do domínio electrónico, Studie I (1953), ele limita o material sonoro aos sons sinusoidais; constatando certas «insuficiências», ultrapassa esta fase inicial em Studie II (1954), obtendo sons complexos, nomeadamente através da utilização de uma câmara de eco e de um sistema de filtragem que permite um maior dinamismo das fontes sonoras. No entanto, K. Stockhausen liberta-se bastante cedo da electrónica pura, passando a integrar fontes concretas. Assim, em Gesang der Jünglinge (1955) (Canto dos Adolescentes), predomina a vontade de assumir a homogeneidade do material, trabalhando já não como nos Studien apenas a partir de sons sinusoidais, isto é, periódicos, mas também a partir de sequências de impulsos não periódicos; é devido ao facto de «os diferentes fenómenos vocálicos não serem nada mais do que sons periódicos não sinusoidais de forma bem definida» que K. Stockhausen pôde utilizar a voz como domínio de sons com uma estrutura harmónica, preservando a possibilidade de um organismo sonoro unificado.
[...] Com a primeira versão de Kontakte (1959-1960), K. Stockhausen demonstra que é, apesar de tudo, possível situar-se ao nível das variações mais subtis que se possa imaginar, de alargar consideravelmente os tratamentos da duração e dos modos de apreensão do tempo, ao imobilizar completamente, por exemplo, um acontecimento sonoro durante um lapso de tempo tão vasto quanto se deseje, o que era inimaginável na execução instrumental devido às suas limitações fisiológicas.
Para K. Stockhausen, tais hipóteses deviam gerar novas categorias temporais e suscitar, através de um aprofundamento máximo da micro-estrutura do som, uma concentração sobre o aqui e agora.
Embora as técnicas electrónicas de produção sonora tenham permitido uma subversão inegável da concepção do tempo musical, o certo é que as possibilidades de montagem e mistura contribuíram, por seu lado, para pôr em causa a continuidade do discurso, a sua linearidade; a diversificação dos tratamentos e combinações, a partir de materiais de base, favorece uma individualização acrescida dos «objectos sonoros», podendo cada um ser dotado, através de métodos de controlo muito rigorosos, de qualidades específicas, de um modo de evolução autónomo."
Dominique e Jean-Yves Bosseur, Revoluções Musicais: A música contemporânea depois de 1945, trad. Maria José Bollino Machado, Editorial caminho, Lisboa, 1990, pp. 41-42.

Karlheinz Stockhausen - Elektronische Musik 1952-1960
gravado entre 1952 e 1960 nos estúdios da NWDR, em Colónia.

Etude (1952) [Konkrete musik]
1
Etude (3:35)

Studie I (1953)
2
Studie I (10:00)

Studie II (1954)
3
Studie II (3:50)

Gesang Der Jünglinge (1955-1956)
4
Gesang Der Jünglinge (13:40)

Kontakte (1959-1960)
5
Struktur I (2:21)
6
Struktur II (1:05)
7
Struktur III (3:55)
8
Struktur IV (0:48)
9
Struktur V (2:28)
10
Struktur VI (0:27)
11
Struktur VII (2:05)
12
Struktur VIII (1:33)
13
Struktur IX (2:30)
14
Struktur X (4:29)
15
Struktur XI (2:17)
16
Struktur XII (1:22)
17
Struktur XIII A (1:23)
18
Struktur XIII B (0:25)
19
Struktur XIII C (0:47)
20
Struktur XIII D (0:50)
21
Struktur XIII E (0:14)
22
Struktur XIII F (2:09)
23
Struktur XIV (0:29)
24
Struktur XV (0:43)
25
Struktur XVI A (0:35)
26
Struktur XVI B (0:04)
27
Struktur XVI C (0:16)
28
Struktur XVI D (0:10)
29
Struktur XVI E (1:52)
[Este link é o mesmo do blog A closet of curiosities e remete para o sendspace, que não é tão rápido nem imediato como o rapidshare, mas permite a descarga de ficheiros maiores.]

domingo, 9 de dezembro de 2007

Paganini - 24 Capricci, op.1

Há uns dias, ouvi na rádio uma obra que me deixou intrigado. Conhecia-a de nome, conhecia o autor, Paganini, mas nunca a tinha ouvido. Pior para mim. A obra é espectacular, e para meu espanto, e constatação de ignorância, foi a base de inúmeros estudos posteriores de muitos e grandes compositores.

A obra são os 24 Capricci, op. 1, escritos entre 1802 e 1817 e publicados em 1819. O meu espanto, injustificado quando ouvi a obra, deveu-se à afirmação de que esta foi durante muito tempo considerada "intocável". Muitos e muitos intérpretes se recusaram a tocá-la em público, pelo menos na versão integral, por ser de muito difícil execução, e potenciar ao máximo a hipótese de erro. As únicas execuções da obra eram, portanto, parciais, um ou outro capricho.

A razão para isto esteve, provavelmente, no facto de Paganini não ter, ele mesmo, tocado a sua próprioa obra. Paganini era, contudo, um provocador do violino, na medida em que se propunha levar as possibilidades sonoras do instrumento ao máximo. Não é por acaso que é considerado o seu maior virtuoso. A verdade é que nem Paganini terá tocado a obra. Esta terá sido composta apenas para efeitos de estudo e não para ser tocada em concerto. Ela é um composto de técnicas dificílimas que raramente se encontram presentes numa só obra, o que, pois, terá assustado muita gente.

Ao ouvir a obra, e embora não sendo músico, apenas ouvinte, percebi que a obra era, de facto, de uma complexidade superior. Parece que, em certos momentos, as cordas do violino se vão quebrar, tal o som que delas sai: agressivo, violento, estridente por vezes. Mas não só a obra é de dificil execução técnica como deve ser fisicamente estenuante. Digo-o por causa do vídeo de Heifetz que aqui deixo onde ele toca o 24º capricho, o mais conhecido (capricho que serviu de base de composição para muitas obras posteriores).

A versão que proponho é uma interpretação de Itzhak Perlman, de 1972, pela Emi. São os 24 Caprichos, portanto a obra integral. Espero que gostem. Para uma lista dos compositores que trabalharam sobre o 24º capricho ver aqui.


24 Capricci, op. 1

Nº 1 en mi majeur (andante)
Nº 2 en si mineur (moderato)
Nº 3 en mi mineur (sostenuto - presto - sostenuto)
Nº 4 en do mineur (maestoso)
Nº 5 en la mineur (agitato)
Nº 6 en sol mineur (lento)
Nº 7 en la mineur (posato)
Nº 8 en mi bémol majeur (maestoso)
Nº 9 en mi majeur (la chasse) (allegretto)
Nº 10 en sol mineur (vivace)
Nº 11 en do majeur (andante - presto - tempo I)
Nº 12 en la bémol majeur (allegro)
Nº 13 en si bémol majeur (allegro)
Nº 14 en mi bémol majeur (moderato)
Nº 15 en mi mineur (posato)
Nº 16 en sol mineur (presto)
Nº 17 en mi bémol majeur (sostenuto - andante)
Nº 18 en do majeur (corrento - allegro)
Nº 19 en mi bémol majeur (lento - allegro assai)
Nº 20 en ré majeur (allegretto)
Nº 21 en la majeur (amoroso - presto)
Nº 22 en fa majeur (marcato)
Nº 23 en mi bémol majeur (posato)
Nº 24 en la mineur (thema - quasi presto - variationi - finale)

Label: Emi Great Recordings Of The Century
Composer: Niccolò Paganini
Performer: Itzhak Perlman


Parte I
Parte II



sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Messe pour le temps présent




















No último post, falei de Symphonie pour un Homme Seul, de Pierre Shaeffer e Pierre Henry, que ofereceu a banda sonora ao primeiro trabalho coreogr
áfico de Maurice Béjart, que faleceu hoje, aos 80 anos, num hospital suíço.

Como havia dito já, houve uma longa e estreita colaboração entre o compositor Pierre Henry e Maurice Béjart. Em 1967, este último encomendou a Henry a música para uma outra criação sua, apresentada no Festival de Avi
gnon e que se tornaria na peça mais célebre do compositor: Messe pour le temps présent. Ainda que o nome possa não ressoar nada a muita gente, basta dizer que foi a inspiração melódica da banda sonora da série de animação Futurama. Mas nos últimos anos tem havido incessantes homenagens a esta peça mista de música electro-acústica e rock psicadélico da responsabilidade do co-autor Michel Colombier, convidado por sua vez por Pierre Henry para o ajudar na instrumentação.

Les jerks électroniques de la Messe pour le temps présent
et musiques concrètes pour Maurice Béjart

Messe Pour Le Temps Présent (1967)

1 Pierre Henry & Michel Colombier Prologue (1:36)
2 Pierre Henry & Michel Colombier Psyché Rock (2:53)
3 Pierre Henry & Michel Colombier Jéricho Jerk (2:26)

4 Pierre He
nry & Michel Colombier Teen Tonic (2:42)
5 Pierre Henry & Michel Colombier Too Fortiche (2:56)


La Reine Verte
(1963)

6 Pierre Henry Marche Du Jeune Homme / La Reine Et Les Insectes (8:50)
7 Pierre Henry Rock Électronique (3:32)

Le Voyage
(1962)

8 Pierre Henry Le Couple (6:55)
9 Pierre Henry Fluidité Et Mobilité D'un Larsen (9:49)

10 Pierre Henry Divinités Paisibles (9:26)

Variations Pour Une Porte Et Un Soupir
(1965)

11
Pierre Henry Balancement (1:13)
12 Pierre Henry Chant 1 (0:27)

13 Pierre Henry Éveil (1:24)

14 Pierre Henry Chant 2 (1:29)

15 Pierre Henry Étirement (0:58)

16 Pierre Henry Gestes (1:39)

17 Pierre Henry Comptine (1:31)

18 Pierre Henry Fièvre 1 (2:24)

19 Pierre Henry Gymnastique (2:15)

20 Pierre Henry Fièvre 2 (2:29)

[Nota: Encontrei este link no blog Bonopos Hump To Music e o disco a que corresponde contém, como se pode ver, a Messe pour le temps présent e outras obras de música concreta do Pierre Henry. No entanto, estas não estão completas. São apenas fragmentos de obras maiores que Maurice Béjart terá usado nos seus bailados. Apenas a Messe está completa.]


segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Musique concrète (II)

"Em 1948, Pierre Henry junta-se aos trabalhos de Pierre Schaeffer, e em conjunto compõem a Symphonie pour un homme seul, a primeira sinfonia de música concreta, revelada em 1950 a um público estupefacto." [Histoire de la Musique Occidentale, sous la direction de Jean & Brigitte Massin, Les Indispensables de la Musique, Fayard, Paris, 1985, pp. 1210-1211]

O segundo volume da edição integral da obra de Pierre Schaeffer é constituído pelas peças feitas em parceria com o co-fundador da música concreta, o compositor Pierre Henry. Pode dizer-se que se o primeiro foi o inventor e o teórico deste género electro-acústico, Henry foi quem conseguiu revelar melhor as potencialidades musicais daquela invenção. Symphonie pour un homme seul é assim a primeira grande obra de música concreta, mas também a primeira apresentada a um público em 18 de Março de 1950, na École Normale de Musique de Paris. A versão apresentada tinha a duração de 80 minutos e a versão aqui incluída é a realizada por Pierre Henry em 1951, com pouco mais de um quarto da duração original. Seria, no entanto, uma outra versão ainda, a de 1955, que daria algum sucesso popular à obra, quando Maurice Béjart (para cujos bailados Pierre Henry haveria de, a partir daqui, criar bastantes peças musicais) coreografou o bailado do mesmo nome, apresentado em 21 de Julho desse ano, no Théâtre des Champs-Elysées. Também Merce Cunnigham haveria de criar uma coreografia dois anos mais tarde para a Symphonie.
Musicalmente, a obra inclui as manipulações de vozes e outros sons pré-gravados em fita magnética, conforme a "invenção" de Pierre Schaeffer, mas é-lhe adicionado um outro instrumento, o piano preparado (este uma invenção do americano John Cage), tocado por Pierre Henry.

Bidule en Ut é outra pequena peça resultante da colaboração dos dois compositores composta em 1953.
Finalmente, Écho d'Orphée é uma obra de Pierre Henry criada em 1988 para Pierre Schaeffer, a partir de uma obra comum Orphée 51, composta em 1951. [Pierre Henry criara ainda a título individual uma outra obra de nome Voile d'Orphée, em 1953, a ressoar ainda esta inspiração mitológica e desenvolvendo este aspecto "sinfónico" da música concreta, a partir de gravações de grandes massas orquestrais e corais e de declamações dramáticas em grego antigo.]


[Pierre Henry no potenciómetro de espaço num concerto na
Salle de l'Ancien Conservatoire de Paris, 1952]


Volume 2: Les Œuvres Communes (1950-1953 Et 1988)
Symphonie Pour Un Homme Seul
2-1 Prosopopée I (2:58)
2-2 Partita (1:12)
2-3 Valse (0:58)
2-4 Erotica (1:21)
2-5 Scherzo (2:33)
2-6 Collectif (0:57)
2-7 Prosopopée II (1:02)
2-8 Eroïca (1:57)
2-9 Apostrophe (2:26)
2-10 Intermezzo (1:57)
2-11 Cadence (1:09)
2-12 Strette (3:09)
-
2-13 Bidule En Ut (2:00)
Écho D'Orphée
2-14 D'un Sillon L'autre (6:12)
2-15 Clavecin Sarcastique (3:29)
2-16 Eurydice (2:50)
2-17 Harpe Et Violon (1:05)
2-18 Jazz Et Plaintes (2:35)
2-19 Le Biguinage (2:59)
2-20 Premier Air, Éléments (3:54)
2-21 Divinités Du Styx (1:49)
2-22 Débat (2:00)
2-23 Les Tâtons (2:43)
2-24 L'amour Aveugle (1:03)
2-25 Voix Intérieures (3:49)
2-26 Grand Air (5:23)